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Quase metade dos municípios brasileiros apresenta alerta ou risco para infestação pelo Aedes aegypti

Levantamento do Ministério da Saúde aponta que 49,2% dos municípios que enviaram dados apresentam índices de alerta ou risco para a presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Quase metade dos municípios brasileiros apresenta alerta ou risco para infestação pelo Aedes aegypti
Foto: Ilustração

Quase metade dos municípios brasileiros que participaram do segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) apresentou situação de alerta ou risco para a presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. Dos 3.732 municípios que encaminharam informações ao Governo Federal, 49,2% registraram índices considerados preocupantes.

O levantamento foi realizado entre maio e agosto e divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, 07 de outubro. Apesar do cenário de alerta em relação à infestação pelo mosquito, os dados mostram uma redução significativa nos casos das principais arboviroses em comparação com o mesmo período de 2025.

As informações obtidas pelo LIRAa são utilizadas pelas autoridades de saúde para identificar os locais com maior presença do Aedes aegypti e direcionar as ações de prevenção, controle e combate aos criadouros.

Casos de dengue apresentam queda de 70%

O Brasil registrou uma redução de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Até 26 de setembro, foram contabilizados 470,5 mil casos prováveis da doença em todo o país. No mesmo período de 2025, o número havia chegado a aproximadamente 1,5 milhão.

Também houve redução nos registros de chikungunya e zika. Os casos prováveis de chikungunya caíram 43%, passando de 118.885 em 2025 para cerca de 67,9 mil entre janeiro e setembro deste ano.

Já os registros de zika apresentaram redução de 35%, de 3.724 casos no mesmo período de 2025 para 2.141 em 2026.

Recipientes do dia a dia concentram focos

O levantamento também permite identificar os principais locais onde o Aedes aegypti encontra condições para se reproduzir.

Os recipientes simples presentes no cotidiano das famílias continuam entre os principais responsáveis pela formação de criadouros. De acordo com os dados do LIRAa, 42,3% dos focos estão relacionados a vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes utilizados no dia a dia.

Outros 26,1% dos criadouros estão em reservatórios de água, como caixas d'água, tonéis e cisternas. Pneus, lixo e resíduos sólidos, incluindo latas, garrafas PET e entulhos, respondem por 23% dos focos identificados.

A predominância dos criadouros varia conforme a região do país. No Norte, os principais focos estão relacionados a pneus e lixo. No Nordeste, destacam-se as caixas d'água e outros reservatórios utilizados para armazenamento de água.

Já nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os principais criadouros estão em vasos, pratos de plantas, garrafas e outros recipientes domésticos.

Dados ajudam a direcionar ações

A partir das informações coletadas pelos agentes de vigilância epidemiológica, as prefeituras conseguem identificar as áreas que apresentam maior risco e direcionar as ações de combate ao mosquito.

O Ministério da Saúde também destaca a antecipação das medidas de prevenção e controle para reduzir o risco de transmissão das arboviroses durante o próximo verão, período em que as temperaturas mais elevadas podem favorecer a proliferação do mosquito.

Entre os fatores que motivam a adoção antecipada das medidas está o avanço do El Niño, fenômeno climático natural que altera padrões de chuva e temperatura e pode contribuir para condições ambientais favoráveis à proliferação do Aedes aegypti.

Novas tecnologias são utilizadas no combate

Além das ações tradicionais de combate aos criadouros, o Ministério da Saúde destaca o uso de novas tecnologias e estratégias para monitoramento e controle do mosquito.

Uma das medidas é a formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) até o fim do ano. Os profissionais atuarão em visitas domiciliares, levando orientações à população, identificando situações de risco e alertando sobre os principais sintomas das doenças.

Os Agentes de Combate às Endemias (ACE) também desempenham papel fundamental na identificação e eliminação de criadouros e no tratamento de locais onde não é possível eliminar a água parada.

Outra ferramenta utilizada são as ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos do mosquito. O equipamento permite mapear áreas com maior concentração do Aedes aegypti e já é utilizado por órgãos de saúde pública de aproximadamente 2 mil municípios.

Também estão entre as estratégias a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes), aplicada em locais como escolas, unidades de saúde e áreas de grande circulação, e as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL).

As EDL utilizam a própria fêmea do Aedes aegypti para disseminar larvicida em criadouros de difícil acesso. O produto utilizado atua no ciclo de desenvolvimento dos mosquitos.

Outra estratégia é o método Wolbachia, que utiliza uma bactéria capaz de impedir que o mosquito transmita os vírus responsáveis por algumas das principais arboviroses.

Prevenção começa dentro de casa

Apesar das ações realizadas pelas autoridades de saúde, o Ministério da Saúde reforça que a participação da população é fundamental para reduzir a proliferação do mosquito.

Os moradores devem realizar vistoria regularmente em suas casas e nos espaços ao redor, eliminando recipientes que possam acumular água. Vasos de plantas, garrafas, pneus, caixas d'água, tonéis, calhas, ralos e outros locais que possam servir de criadouro devem receber atenção.

Mesmo com a queda expressiva dos casos de dengue, chikungunya e zika registrada neste ano, a presença do mosquito em quase metade dos municípios avaliados mantém o alerta para a necessidade de prevenção contínua.

A orientação é que o combate ao Aedes aegypti não seja concentrado apenas nos períodos de maior circulação das doenças, mas faça parte da rotina da população e das ações permanentes dos serviços de saúde.

FonteMinistério da Saúde
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