A canola vem ganhando espaço nas lavouras do Rio Grande do Sul e se consolidando como uma alternativa para a produção de biocombustíveis. Em 2026, a área cultivada com a oleaginosa no Estado está estimada em 353.397 hectares, um crescimento de 102,64% em relação aos 174.394 hectares registrados em 2025.
Os dados são da Emater/RS-Ascar e foram citados pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) em comunicado divulgado pela entidade.
Além de representar uma alternativa às culturas tradicionais de inverno, como o trigo, a canola oferece possibilidades de ampliar o aproveitamento da produção agrícola. O óleo extraído dos grãos pode ser utilizado na fabricação de biodiesel, enquanto o farelo resultante do processamento é destinado à alimentação animal.
Colheita destaca potencial da canola para o agronegócio
O potencial da cultura foi ressaltado durante a abertura nacional da colheita da canola, realizada na terça-feira, 13 de outubro, em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul.Na ocasião, a Aprobio destacou a capacidade da oleaginosa de contribuir tanto para a produção de alimentos quanto para a geração de energia renovável, ampliando as oportunidades de mercado para o agronegócio.
O presidente da Aprobio e da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Jerônimo Goergen, afirmou que o avanço da cultura representa uma oportunidade de ampliar a renda dos produtores rurais e fortalecer a produção nacional de combustíveis renováveis.
“A canola é um dos produtos no Brasil que nos possibilitam alimento e energia, e não alimento ou energia”, declarou Goergen.
Integração entre produção e mercado é desafio
Apesar do crescimento expressivo da área cultivada, a expansão da canola também exige planejamento para garantir que o aumento da oferta de matéria-prima seja acompanhado pelo desenvolvimento do mercado consumidor.Segundo a Aprobio, é necessário fortalecer a integração entre agricultores, empresas cerealistas e produtores de biocombustíveis, criando condições para o escoamento da produção e a geração de renda no campo.
Goergen ressaltou que a previsibilidade é fundamental para o setor e que a ampliação das lavouras precisa estar conectada às demandas da cadeia produtiva.
“A previsibilidade é fundamental para o agronegócio. É importante consolidar a produção da matéria-prima, mas também já conectar isso às empresas cerealistas ou produtoras de biocombustível. Não vejo outro cenário para termos renda efetiva no campo”, afirmou.
Com o avanço da área cultivada, a canola amplia sua participação na agricultura gaúcha e reforça seu potencial como matéria-prima para a produção de energia renovável. Para consolidar esse crescimento, o setor aposta no planejamento e na integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.



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