O Rio Grande do Sul chegou a 60 casos de feminicídio em 2026 após quatro mulheres serem assassinadas entre o domingo, 04 de outubro, e a segunda-feira, 05 de outubro. Os crimes ocorreram em Barra do Guarita, Alegrete, Porto Alegre e Caxias do Sul. Ao todo, cinco homens suspeitos de envolvimento nas mortes foram presos.
O primeiro caso ocorreu na manhã de domingo, em Barra do Guarita, na região Noroeste do Estado. Conforme a Polícia Civil, um homem venezuelano, de 32 anos, perseguiu e matou a companheira, também venezuelana, Noraysis El Carmen Planche, de 36 anos.
Após o crime, o suspeito tentou tirar a própria vida, mas foi preso em flagrante e encaminhado para atendimento no Hospital Santo Antônio, em Tenente Portela. Segundo a investigação, não havia registros anteriores de violência doméstica ou medidas protetivas contra o homem.
Ainda na manhã de domingo, outro feminicídio foi registrado em Alegrete. O soldado do Exército Ellinton Moura Silva, de 23 anos, foi preso em flagrante pela morte da ex-companheira, Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos.
De acordo com a Polícia Civil, a arma utilizada no crime teria sido furtada da unidade militar onde o suspeito trabalhava. A irmã da vítima, de 29 anos, também foi atingida por disparos e sobreviveu. Um vizinho que tentou impedir a fuga do autor também foi alvo de disparos, mas não foi atingido.
A investigação aponta que não havia registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
Mulher é morta a facadas em Porto Alegre
Na manhã de segunda-feira, 05 de outubro, Thamires de Araújo Rodrigues, de 24 anos, foi assassinada a facadas no bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre. O companheiro da vítima, Douglas Vinicius dos Santos Bernardo, de 29 anos, foi preso em flagrante.Segundo a Polícia Civil, Thamires e Douglas tinham dois filhos: um menino de quatro anos e uma menina de apenas três meses. Também neste caso não havia registros anteriores de violência envolvendo o suspeito.
Quarto feminicídio ocorreu em Caxias do Sul
Também na segunda-feira, Susiele Santos de Brito, de 32 anos, foi assassinada em Caxias do Sul. Conforme a investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do município, dois homens foram presos em flagrante.Um dos suspeitos, de 35 anos, era companheiro da vítima. O segundo, de 32 anos, confessou participação no crime. Até então, não havia registros de violência contra Susiele envolvendo o companheiro.
Violência pode ocorrer sem registros anteriores
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher em razão de sua condição de gênero. O crime representa uma das formas mais extremas de violência contra as mulheres e, frequentemente, ocorre em contextos de relacionamento ou proximidade entre vítima e agressor.Para Isadora Zorzi, advogada da associação Themis, os quatro casos registrados no início desta semana apresentam características semelhantes às observadas em outros episódios de violência de gênero no Estado.
“São casos que se inserem no que a gente já vem observando nessa escalada de violência no RS. Três deles foram cometidos por companheiros das vítimas, e um por um ex-namorado”, afirma.
A advogada também destaca a importância de reconhecer situações de violência e buscar ajuda antes que elas evoluam para situações mais graves. Segundo ela, a solicitação de medidas protetivas pode ser uma ferramenta importante para a proteção das vítimas.
“O que a gente observa é que uma mínima parcela dessas mulheres que são vítimas de feminicídio tem medida protetiva de urgência, o que nos mostra que essa política, em que pese não seja infalível, ela salva vidas”, afirma Isadora.
Além do acesso às forças de segurança para o registro das ocorrências e solicitação de medidas protetivas, a advogada ressalta a importância de ampliar a informação sobre violência contra as mulheres e discriminação de gênero.
Onde buscar ajuda
Mulheres vítimas de violência ou pessoas que tenham conhecimento de casos de violência doméstica podem buscar ajuda e realizar denúncias.- 180 – Central de Atendimento à Mulher, com atendimento 24 horas;
- 190 – Brigada Militar, em situações de emergência;
- 100 – Disque Direitos Humanos, para denúncias de violações de direitos humanos;
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) ou qualquer unidade da Polícia Civil, para registro de ocorrência e solicitação de medida protetiva.
Também é possível registrar ocorrência pela Delegacia de Polícia Online da Mulher do Rio Grande do Sul.
As vítimas podem ainda procurar os Centros de Referência à Mulher (CRAM), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e organizações especializadas no atendimento e orientação de mulheres em situação de violência.

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